O Brasil e os Estados Unidos deram início a uma rodada de negociações comerciais para discutir a redução ou eliminação de tarifas sobre o etanol e o açúcar entre os dois países. O governo brasileiro confirmou que o diálogo será longo e técnico, com o objetivo de alcançar um acordo equilibrado para ambas as nações.
A pauta surge após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou a possibilidade de impor novas tarifas de importação como medida de proteção à indústria nacional. Atualmente, os EUA aplicam tarifas sobre o açúcar brasileiro, enquanto o Brasil impõe restrições ao etanol norte-americano. Essa questão tem sido um ponto de atrito entre os dois países, que possuem estruturas produtivas distintas: o Brasil produz etanol a partir da cana-de-açúcar, enquanto os Estados Unidos utilizam principalmente o milho como matéria-prima.
O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, afirmou que o governo está adotando uma abordagem estratégica para evitar medidas retaliatórias e garantir um ambiente de negócios mais previsível. "Nossa prioridade é estabelecer um diálogo aberto e construtivo, buscando um equilíbrio que favoreça o comércio bilateral sem prejudicar setores estratégicos da economia brasileira", disse Haddad em coletiva de imprensa.
Segundo especialistas do setor, um acordo entre os dois países poderia trazer benefícios significativos para ambos os mercados. O Brasil, maior exportador mundial de açúcar e um dos principais produtores de etanol, poderia expandir sua presença nos EUA, enquanto os produtores norte-americanos de etanol teriam maior acesso ao mercado brasileiro. Contudo, qualquer mudança nas tarifas exigirá negociações detalhadas e, possivelmente, concessões mútuas.
Além das tarifas sobre o etanol e o açúcar, outras questões comerciais estão na mesa, incluindo a exportação de produtos agrícolas e a cooperação em biocombustíveis. Para analistas, essa rodada de negociações pode se tornar um marco na relação comercial entre os dois países, reforçando parcerias estratégicas no setor de energia renovável e agricultura sustentável.
As discussões devem se estender pelos próximos meses, e novas reuniões já estão sendo planejadas entre autoridades dos dois governos. A expectativa é que um possível acordo possa ser anunciado ainda este ano, dependendo do progresso das tratativas e das condições políticas em ambos os países.