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Profissão de Latoeiro Resiste ao Tempo e Ganha Novo Fôlego em Ateliês Artesanais

SAP

Em meio à era digital e à automação, uma profissão quase esquecida ressurge com força em ateliês artesanais: o latoeiro, profissional especializado na criação e reparo de objetos de lata e metal fino, como bules, baldes e panelas. Embora tenha sido uma das ocupações mais populares até meados do século XX, a profissão entrou em declínio com o advento dos plásticos e materiais industrializados, mas agora está encontrando um novo público em busca de itens personalizados e sustentáveis.

De acordo com Geraldo Siqueira, de 67 anos, um dos poucos latoeiros em atividade na capital paulista, a demanda por seus serviços aumentou nos últimos anos. “Parece que as pessoas estão voltando a valorizar o trabalho manual e querem peças únicas, feitas com cuidado. Além disso, muitos procuram consertar objetos antigos de família, trazendo um pouco de história e tradição de volta à vida”, conta ele.

Os latoeiros eram fundamentais em comunidades pequenas, onde fabricavam e consertavam utensílios domésticos e ferramentas de metal. Com o tempo, porém, a industrialização e o consumo em massa reduziram a procura por esses serviços. Mas, com o atual movimento de sustentabilidade, que preza pela reutilização e o consumo consciente, a profissão vem despertando o interesse de novas gerações.

Alguns jovens artesãos estão se especializando na técnica e reinventando a profissão com novos designs e produtos modernos. Ateliês em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre estão oferecendo cursos e oficinas, promovendo a continuidade dessa arte antiga. “O trabalho com metais exige precisão e paciência. É uma forma de arte que estava adormecida, mas que tem muito a ensinar sobre durabilidade e respeito aos materiais”, diz Luana Andrade, uma designer que incorporou técnicas de latoaria em suas criações de luminárias artesanais.

A redescoberta do trabalho dos latoeiros é um exemplo de como profissões tradicionais podem se adaptar e sobreviver em um mundo moderno, trazendo um resgate cultural e uma nova perspectiva sobre a relação com os objetos cotidianos.