Em fevereiro de 2025, a República Democrática do Congo (RDC) enfrenta uma escalada de violência no leste do país, com o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) avançando em direção à cidade de Bukavu, capital da província de Kivu do Sul. Após a captura de Goma, capital de Kivu do Norte, em janeiro, os rebeldes intensificaram suas operações, tomando a cidade estratégica de Nyabibwe em 5 de fevereiro, situada entre Goma e Bukavu.
O avanço do M23 provocou uma crise humanitária significativa, com milhares de civis deslocados buscando refúgio em áreas mais seguras. Relatórios indicam que cerca de 10.000 refugiados congoleses cruzaram para o Burundi através do posto de fronteira de Gatumba, enquanto outros atravessaram o rio Ruzizi para as províncias de Bubanza e Cibitoke.
Em 14 de fevereiro, os rebeldes cercaram e assumiram o controle do Aeroporto de Kavumu, a aproximadamente 30 quilômetros de Bukavu, facilitando seu avanço em direção à cidade. No dia seguinte, relatos de saques generalizados emergiram, com multidões destruindo e invadindo lojas, empresas e centros governamentais. O depósito de Bukavu do Programa Mundial de Alimentos, contendo 6.800 toneladas de suprimentos humanitários, foi saqueado, exacerbando a crise humanitária.
Em 16 de fevereiro, o governo congolês confirmou que Bukavu havia caído sob controle do M23, que estabeleceu posições no gabinete do governador regional. Embora alguns residentes tenham saudado os rebeldes, protestos eclodiram em várias partes da cidade, refletindo a tensão e a incerteza entre a população local. A ocupação levou a um êxodo significativo de civis, com milhares buscando refúgio em países vizinhos.
A comunidade internacional expressou preocupação com a deterioração da situação na RDC. As Nações Unidas e a União Africana apelaram por um cessar-fogo imediato e pelo retorno às negociações de paz. Enquanto isso, organizações humanitárias enfrentam desafios para fornecer assistência às populações afetadas devido à insegurança e ao acesso limitado às áreas de conflito.
A escalada do conflito ressalta a fragilidade da estabilidade na região dos Grandes Lagos e a necessidade urgente de uma solução política sustentável. A comunidade internacional continua a monitorar de perto a situação, buscando maneiras de apoiar a RDC na restauração da paz e na proteção de seus cidadãos.